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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Além Do Ativismo Tribal

por Patri Friedman

Introdução

Eu desejo profundamente viver em uma sociedade livre de verdade, não quero apenas imaginar um futuro utópico e teórico, ou alcançar pequenos ganhos incrementares na liberdade. Por muitos anos, eu defendi a liberdade entusiasmadamente sob a vaga suposição de que esta defesa iria ajudar a nossa causa. No entanto, eu recentemente comecei trabalhar integralmente na tentativa de criar sociedades livres, o que mudou dramaticamente a perspectiva dos meus dias de filosofia passiva[1]. Minha nova perspectiva é que a abordagem da defesa, a qual muitos indivíduos libertários, grupos e "think tanks" seguem (incluindo eu meso às vezes, infelizmente) é uma total perda de tempo.

O argumento refinou os nossos princípios e a pesquisa acadêmica aumentou o nosso entendimento, mas eles não nos deixaram mais próximos de um estado libertário real. Nosso debate não surge de uma estratégia calculada, mas de um "ativismo tribal" intuitivo: um instinto de buscar mudanças políticas através de interações pessoais, nascido em nossos dias de caçadores-coletores, quando a política era pessoal. No mundo moderno, no entanto, políticas ruins são resultado da ação humana, não do design humano. Para mudá-las nós precisamos entender como elas surgem da interação humana e então alterar a rede de incentivos que guia o comportamento. Tentativas de influenciar diretamente as pessoas ou idéias sem mudar os incentivos, como o Partido Libertário Americano, a campanha do Ron Paul e a pesquisa acadêmica, são portanto inúteis para alcançar liberdade no mundo-real.

Neste ensaio eu irei descrever o nosso instinto desorientado, apresentar alguns princípios da abordagem de níveis-de-incentivos e então descrever alguns dos caminhos de reforma que ela sugere. Minha esperança é persuadir aquelas almas corajosas que trabalham tão arduamente pela liberdade, a trabalharem mais sabiamente também.

Eu também gostaria de admitir abertamente que embora eu critique o ativismo tribal, ele frequentemente guia as minhas ações. Ele é profundamente condicionado e difícil de corrigir - eu esforço-me para superá-lo e o vejo no mundo porque o vejo em mim mesmo.

O que é o Ativismo Tribal?

Nossos cérebros possuem muitas adaptações específicas sintonizadas pelo ambiente caçador-coletor no qual evoluímos, ambiente este que se difere de algumas maneiras radicalmente do mundo moderno. Considere a prevalência da obesidade: nós comemos de acordo com instintos ultrapassados, nos banqueteamos perante uma penúria que nunca chega, ao invés de nos adaptar ao novo mundo de abundância calórica.

Semelhantemente, muitas pessoas possuem uma "economia tribal" intuitiva, o que inclui um número de propensões tais como o anti-estrangeirismo e o trabalho inútil. Estas crenças são demonstravelmente erradas, ubíquas, teimosamente resistentes para se argumentar e podem ser ligadas a aspectos da economia pré-agrícola, sugerindo fortemente que elas são uma adaptação evolutiva. Embora libertários economicamente literados espetam prazerosamente aqueles que argumentam erroneamente pela economia tribal, nós constantemente nos engajamos no que eu devo chamar de ativismo tribal.

Nas antigas tribos humanas, haviam tão poucas pessoas em cada estrutura social que qualquer um poderia mudar a política. Se você não gostasse de como a carne do búfalo era dividida, você poderia propor uma alternativa, montar uma coalizão ao redor disto e de fato fazer acontecer. O sucesso requeria o acordo de dezenas de aliados - contudo, estes mesmos instintos agora guiam as nossas ações quando o sucesso necessita do acordo de dezenas de milhões. Quando lemos no jornal da noite que estamos sustentando a conta de um novo socorro financeiro, reagimos reclamando com os nossos amigos, sugerindo alternativas e tentando buscar coalizões para uma reforma. Este comportamento primitivo é um guia tão bom para como reformar efetivamente a política moderna quanto é o nosso gosto instintivo de açúcar e gordura para como comer nutritivamente.

O ativismo tribal corrompe amplamente os movimentos políticos. Ele conduz os ativistas a falarem, debaterem e fazerem proselitismo demais, deixando de lado as ações do mundo real. Nós construímos coalizões de eleitores para tentar influenciar ou substituir líderes políticos tribais e intelectuais, ao invés de mudar o amplo sistema de incentivos.
Isto não é motivo para desespero. Pelo contrário: é um motivo para grandes esperanças. Isto sugere que o fracasso dos ativistas libertários em produzir países libertários pode estar ligados a esforços mal direcionados e não à impossibilidade da tarefa. Usando análises ao invés de instintos, podemos possivelmente encontrar uma melhor alavanca e um ponto de apoio sob o qual podemos tentar os nossos esforços Arquimedianos.

Princípios Para Um Ativismo Realístico

O mundo é complexo e existem muitos princípios que podem ser usados para guiar reformas, então irei discutir aqui apenas os mais vitais.

O Poder Tem Inércia

Como um libertário, eu acho fácil enxergar a evidência empírica de que incentivos importam. Mais difícil, mas muito importante, é ver a vasta abertura entre os princípios libertários e o tamanho e escopo dos governos correntes como uma evidência empírica de que o poder importa também. Políticos são demonstravelmente, consistentemente e onipresentemente especialistas em fortificar o poder da classe política. Para a maioria dos libertários, isto é moralmente ilegítimo, mas a moralidade infelizmente tem pouca influência nas realidades do poder.
Se iremos algum dia nos mover para além de filosofar em mesa de bar e blogar para mudar as estruturas do poder no mundo, devemos aceitar que o equilíbrio do poder tem uma inércia considerável. Não podemos alterá-lo com esperança e com afrontas solitárias - nós precisamos de uma ação calculada cuidadosamente.

A Democracia Não É A Resposta

A democracia é o atual sistema político padrão, mas infelizmente ela é desfavorável para um estado libertário. Ela possui falhas sistemáticas substanciais, as quais estão bem cobertas em outro lugar [2], além de apresentar problemas fundamentais especialmente para libertários:

1) A maioria das pessoas não são libertárias por natureza. David Nolan relata que pesquisas mostram que na melhor das hipóteses, 16% das pessoas possuem crenças libertárias. Nolan, o homem que fundou o Partido Libertário em 1971, agora convoca os libertários a desistirem da estratégia de eleger candidatos! Mesmo Ron Paul, que foi bastante popular pelos padrões libertários e concorreu durante um período de enorme revolta contra as autoridades, nunca teve a menor chance de ganhar a nominação. A sua "forte" campanha o deu 1.6% das delegações da convenção nacional do Partido Republicano. Simplesmente não existem tantos de nós para ganharmos as eleições, a não ser que concentremos os nossos esforços de alguma maneira.

2) A democracia é uma fraude contra libertários. Os candidatos tentam ganhar as eleições em parte vendendo favores políticos futuros para arrecadar fundos e votos para as suas campanhas. Os libertários (e outros candidatos honestos) que não irão abusar do próprio cargo não podem vender favores, portanto eles possuem menos recursos para fazer a campanha, tendo então uma enorme desvantagem intrínseca em uma eleição.

Os libertários são uma minoria e vão mal nas eleições, portanto vencer processos eleitorais é um esforço em vão.

Comportamento Emergente

Considere estes três níveis de abstrações políticas:

1. Políticas: Conjuntos de leis específicas.
2. Instituições: Um país inteiro e os seus sistemas legais e políticos.
3. Ecosistema: Todas as nações e o ambiente no qual elas competem e evoluem.

O ativismo tribal trata as políticas e instituições como um resultado específico da intenção humana. No entanto, as políticas são em grande parte um comportamento emergente de instituições, enquanto que as instituições são um comportamento emergente do ecosistema político global.

Instituições, Não Políticas

Eu acredito que os libertários (incluindo eu mesmo) perdem muito tempo explorando soluções que nunca irão ser implementadas ou mesmo influenciar a política. Estas não são necessariamente soluções libertárias - freqüentemente elas procuram atender aos fins da maioria de uma maneira efetiva. Nós estamos seguindo a abordagem intuitiva do ativismo-tribal de propor planos para a nossa tribo. Infelizmente, o problema não é que os nossos legisladores carecem de boas ideais, mas que a democracia é um método incorreto de escolher dentre elas, porque os nossos políticos respondem a incentivos também. Isto é, enquanto nós podemos ficar argumentando por semanas sobre a maneira mais eficaz de se estimular a economia, a eficácia vai continuar não sendo o critério primário sob o qual os fazedores de lei avaliam políticas.

Os libertários despejam muitos de nossos recursos dissecando políticas e propondo alternativas. Porém, discutir uma política específica é como reclamar de um preço - e esquecer que é um conjunto de oferta e demanda. Embora as análises políticas sejam certamente um campo interessante, como um método para melhorar a performance política elas são tão úteis quanto são os controles de preços para melhorar a performance econômica. E embora não sem benefícios, [3] debates políticos parecem muito mais importantes do que eles realmente são. Nossa propensão cognitiva é supor que temos uma voz equivalente à de um indivíduo em uma tribo caçadora-coletora Dumbariana, então comentamos sobre eventos de âmbito nacional com uma paixão competitiva - mesmo quando ninguém está ouvindo. (Agora você entende os blogs e conversas de bar!) Estes debates funcionam como uma miragem que nos distrai da estrutura mais fundamental de reforma que iria realmente alcançar a liberdade em nossas vidas. [4]

Ecosistemas, Não Instituições

O governo é apenas uma outra indústria, onde países oferecem serviços aos seus cidadãos, mas com algumas características infelizes. Ele é um monopólio geograficamente segmentado e, visto que toda a terra foi incorporada, a indústria possui uma enorme barreira à entrada. Para começar um novo governo você deve derrotar um antigo, o que significa vencer uma guerra, uma eleição ou uma revolução. Além disso, ele tem um altíssimo custo de transição para consumidores: existem barreiras à emigração e imigração, e trocar de países envolve altos custos financeiros e emocionais. Estas características resultam em uma indústria horrivelmente não competitiva, portanto não é surpresa que as firmas existentes tendam a explorar os seus consumidores ao invés de atraí-los.

Esta análise nitidamente evita debates morais e possui claras implicações práticas: se o problema é um mercado pouco competitivo, a solução é torná-lo mais competitivo. Ela também expõe a futilidade das estratégias que não tratam desta questão, como a de ganhar o debate de idéias. Embora atrativo e nobre, isto é ineficaz. Sem pressões competitivas, nossas instituições geram políticas incorretas que beneficiam a classe política, não aquelas que refletem o consenso de economistas acadêmicos. Nós precisamos de mais competição no governo, nem de mais papers acadêmicos ou notoriedade.

Um Ecosistema Experimental

Antes de ser introduzido aos campos do direito e da economia, eu presumi que o problema principal em se alcançar uma boa sociedade era chegar a valores e morais básicos. Aí então você as escreve como leis e está tudo resolvido. Acontece que mesmo se nós concordarmos com uma definição de direitos, não há um caminho certo para derivar leis e mecanismos de garantia. A implementação não é um detalhe trivial, ela é a parte difícil. Para piorar as coisas, projetar políticas é a parte fácil. Quando as vemos como parte de um comportamento emergente de instituições, as coisas vão de difícil para impossível (então elas vão demorar um pouco mais).

Por não termos um conhecimento a priori de qual seria a melhor forma de governo, a busca por boas sociedades requer tanto experimentação quanto teoria - tentando muitas novas instituições para ver como elas funcionam na pratica. Isto requer que as instituições sejam encaixadas em um sistema que as permita serem criadas, testadas e comparadas facilmente. Um indústria governamental com uma pequena barreira à entrada e fácil troca de fornecedores iria permitir esta constante experimentação em pequena escala.

Este sistema iria oferecer uma série de benefícios:

· Seriam criados exemplos específicos no mundo real para apontar quando se debate os méritos de diversos sistemas. Quantas milhares de palavras sobre os benefícios dos livre-mercados em papers acadêmicos são necessários para serem adicionados às duas palavras "Hong Kong"?
· Consumidores potenciais do novo sistema poderiam de fato experimentá-lo física e emocionalmente, ao invés de fazerem abstrações mentais, o que é muito mais poderoso para mudar mentes. Para os cidadãos da URSS, uma única visita ao ocidente poderia eliminar anos de propaganda Soviética.
· Ele permite aos adeptos de um sistema alternativo (como o libertarianismo) a viverem o seu sonho bem mais cedo, já que eles somente precisariam juntar um pequeno grupo para experimentar a sua nova sociedade, ao invés de terem que convencer uma nação inteira já existente (o que pode nunca acontecer).
· Cria-se o suporte a um processo evolucionário e contínuo onde as sociedade aprendem ao longo do tempo e mudam com o mundo.
· Não há a pretensão de que existe uma melhor sociedade para todos. As pessoas podem tentar viver os seus ideais sem precisar impô-los aos outros. Ele não apenas abraça múltiplas variantes do libertarianismo, mas também outros fins e métodos para se criar uma boa sociedade.

O Papel Da Fronteira

Como disse Bryan Caplan,[5] quando se trabalha com as instituições existentes, mudanças estruturais e políticas são iguais, já que você só pode mudar a estrutura implementando uma política. Somente começando com um estado em branco é que você pode fazer uma melhor estrutura sem ter que sobrepor fortes interesses, os quais tendem a resistir a inovações porque reduz o seu poder. Historicamente, a fronteira tem funcionado como esta lona para a experimentação.

Existem aspectos positivos desta necessidade de uma fronteira, já que há uma parcela de pessoas (atualmente um pouco frustradas) para as quais o anseio pelo pioneirismo é uma força motriz. Por tudo que eu critico nos mal instintos, é bem mais fácil trabalhar com os instintos do que contra eles, então é bom ter um do nosso lado!

Além do mais, os primeiros passos em direção à criação de uma nova fronteira é ter uma nova idéia, divulgá-la e montar uma coalizão de pessoas prontas para vivenciá-la - o mesmo procedimento e instinto do ativismo tribal. A diferença é a estratégia de implementar de fato a visão com um número de pessoas razoavelmente plausível, ao invés de uma que necessite que milhares concordem antes de poder colocá-la em prática. O problema não são os instintos, mas sim segui-los sem reavaliá-los para ver se eles são apropriados para o mundo moderno.

A Tecnologia É Muito Mais Importante Do Que A Retórica

Considere os efeitos relativos à retórica do Crescimento Populacional Nulo vs. as tecnologias de controle de natalidade na mudança da curva de crescimento populacional do mundo. É monumental. A tecnologia altera os incentivos, o que é uma maneira muito mais eficaz de se alcançar mudanças em grande escala do que tentar lutar contra propensões humanas ou mudar mentes. Infelizmente a tecnologia é muito mais recente na história da humanidade do que a persuasão, o que a torna uma estratégia muito menos intuitiva.

Alternativas Ao Ativismo Tribal

Projeto Estado Livre (Free State Project)

O FSP pretende trazer 20.000 ativistas da liberdade ao estado de New Hampshire. Até o momento 9.000 se cadastraram e 700 já se mudaram. Mesmo estes poucos foram capazes de eleger 4 dos 400 representantes do estado, o que torna plausível a idéia de que os 20.000 poderiam ter um impacto substancial nas políticas do estado.

Eu tenho dúvidas sobre a quantidade de liberdade que o FSP poderá garantir, porque a maior parte das restrições e impostos são de nível federal e a questão dos direitos dos estados foi bem estabelecida em 1865. Ao invés de abrir uma nova fronteira, ele se situa em um território reivindicado e controlado pela força militar mais poderosa do mundo. Ele também opera dentro da democracia tradicional com suas falhas.

Ainda assim, o FSP foi conscientemente desenvolvido como uma reação ao fracasso da reforma libertária até o momento e é uma grande melhora perante o ativismo tribal. Ele concentra as nossas forças ao invés de depender de uma movimento libertário massivo que nunca irá chegar. Ele é baseado em uma ação imediata: praticar os nossos princípios hoje para demonstrar que a liberdade funciona, ao invés de rezar eternamente.

Estar dentro dos Estados Unidos pode dificultar a liberdade alcançável, mas também limita as dificuldades, então acaba sendo uma opção de baixo-risco e baixa-recompensa.

Crypto-Anarquia

Proposto no Manifesto Crypto Anarquista de Tim May em 1988, a idéia é que uma moeda digital anônima poderia limitar bastante o poder do governo. Embora a tecnologia computacional e de rede se desenvolveu enormemente desde que foi escrita, o dinheiro digital não decolou e o principal impacto das transações digitais parece ser no registro de vendas das indústrias, não na "habilidade de taxar e controlar as interações econômicas" como May previu.
Apesar da elegância matemática da criptografia digital, o nosso mundo análogo é um terreno para maiores gastos e rendas, que podem então ser taxadas e reguladas. Além do mais, a realidade física provê uma ligação para o controle - não importa o quão sofisticado seja a identidade virtual, ela sempre irá partir de uma identidade física vulnerável.

Embora a internet tenha sido um grande passo em direção a um estilo de vida virtual, nós não iremos ser transportados ao tempo integral tão cedo. Ao longo do tempo as previsões de May irão se tornar realidade, mas apenas vagarosamente e para uma pequena parcela de afazeres humanos. Ainda assim, o cyberespaço é um ambiente inerentemente mais competitivo, mais anônimo e mais difícil de taxar e regular, então avançá-lo é uma maneira de acelerar a liberdade através da tecnologia.

Anarquia De Mercado

Conforme descrito em livros como Engrenagens da Liberdade, este é um sistema onde agências privadas definem, julgam e garantem a lei. É uma bela e estranha idéia que é impossível fazer justiça em um curto espaço, em parte porque ela é um sistema de ação humana, não de design humano. A sua brilhante lógica nitidamente resolve o problema de como criar uma instituição que irá gerar políticas eficientes. Além disso, ela é um ecosistema, não apenas uma instituição. ela gera muitos sistemas legais através da competição, da inovação e da imitação.
Infelizmente, não há uma caminho claro para tal sociedade. Adeptos oferecem a vaga idéia de que os governos irão de alguma maneira desaparecer, mas conforme observado anteriormente, o poder é demonstravelmente bom em se perpetuar. O anarquismo vale ser revisitado apenas se pudermos conseguir uma tabula rasa política de alguma outra forma. Por exemlpo...

Colonização marítima (Seasteading)

A colonização marítima é a minha proposta para fazer dos oceanos uma nova fronteira, [6] onde poderemos construir novas cidade-estados para experimentar com novas instituições. Isto reduz dramaticamente a barreira à entrada para se formar um novo governo, já que por mais que plataformas oceânicas sejam caras, elas ainda são mais baratas do que ganhar uma guerra, uma eleição ou uma revolução. Uma pequena barreira à entrada significa mais experimentos de pequena escala. Além do mais, a natureza única da superfície fluida do oceano significa que as cidades podem ser construídas de uma maneira modular, onde edifícios inteiros podem ser desanexados e movidos para longe. A mobilidade sem precedentes nos dará a habilidade de sair de um país sem precisar sair de casa, aumentando a competição entre governos.

Este é um plano de ação imediata, não de esperança ou debate. Ele faz uso das pessoas que temos agora ao invés de tentar convencer as massas, evitando interesses poderosos ao se mudar para a fronteira. Ainda mais importante, ele aumenta a competição jurídica. Ele não irá apenas criar um novo país, mas um ecosistema inteiro de paises competindo e inovando para atrair cidadãos. Como qualquer mercado, o processo de tentativa e erro irá gerar soluções que mal podemos imaginar - mas que sabemos que irá ser melhor para os consumidores.

A colonização marítima está longe de ser um sucesso certo, mas este é um problema complexo e dificilmente terá uma resposta simples. Dois dos maiores riscos são os custos e os perigos do ambiente marítimo, além da chance de que os estados irão interferir. O último é um risco sistemático em qualquer reforma (se eles irão interferir em uma nova cidade no oceano, então nenhum lugar é seguro [7]), mas o primeiro é um risco peculiar que poderia ser eliminado se a colonização marítima fosse parte do portfólio dos projetos de liberdade.

Eu fundei o "The Seasteading Institute" para avançar este caminho, então se você estiver interessado em aprender mais, veja o nosso website, FAQ e livro.

Conclusões

Se uma fração da paixão, do pensamento e do capital que estamos gastando no ativismo tribal libertário fosse direcionado para caminhos mais realistas, nós teríamos uma chance muito maior de alcançar a liberdade durante as nossas vidas. Nós precisamos superar os nossos instintos de proselitismo e, ao invés disto, analisar caminhos para uma reforma. Independente de você concordar ou não com as minhas análises de estratégias específicas, meu tempo não estará sendo gasto se eu puder fazer com que mais libertários parem de bater suas cabeças contra os incentivos da democracia e parem de reclamar de como as pessoas são cegas ao abuso de poder, enquanto eles mesmos permanecem cegos perante a estabilidade do poder, podendo assim pensar em como nós podemos fazer mudanças sistemáticas, por fora das estruturas do poder, que poderiam de fato levar-nos a um mundo mais livre.
Patri Friedman é o diretor executivo do Seasteading Institute

Notas
[1] Essencialmente este era um movimento de uma visão distante para uma visão próxima, veja a discussão da diferença no A Tale Of Two Tradeoffs e no Abstract/Distant Future Bias. A diferença também é coberta no Stumbling On Happiness de Daniel Gilbert.
[2] The Rise and Decline of Nations de Mancur Olson é uma fonte. O trabalho mais recente sobre isto que eu conheço é The Myth of the Rational Voter de Bryan Caplan, embora ele cubra apenas uma área do fracasso democrático.
[3] Análises políticas não são desprovidas de benefícios. Elas ajudam as pessoas a se darem conta do quanto as políticas existentes são falhas, o que é fundamental para se enxergar que as instituições são falhas. Entender as falhas das instituições nos ajuda a entender o mercado que as alimenta. O processo ajuda o nosso entendimento econômico das mudanças que qualquer sociedade precisa fazer. Análises políticas são uma base importante para o nosso entendimento, mas nós temos bastante entendimento - agora precisamos de algum boom.
[4] Este é o lema do Free State Project e é um ótimo grito conjunto.
[6] Note também que o espaço tem muito mais mobilidade e recursos do que o oceano. No entanto, os oceanos são apenas a penúltima fronteira.
[7] Algumas pessoas argumentam que a forte defesa conta os estados é uma outra resposta, como as armas de destruição em massa. Esta solução tem alguns problemas: 1) O pioneirismo pode ser feito incrementalmente, enquanto grandes problemas acontecem àqueles que quase tem bombas nucleares. 2) A auto-defesa não trata de nenhum dos problemas que impedem os governos correntes. 3) Ser capaz de se defender das mais fortes nações existentes é uma altíssima barreira à entrada. Por estas razões, o mundo experimental que estamos procurando será improvável se os estados interferirem comumente nas pequenas sociedades experimentais.

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[NT] Veja também a palestra do Patri Friedman no Brasil:

Tradução: Eric P. Duarte

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Anti-armas?

II Seminário de Escola Austríaca de Economia no Brasil



No ano de 2010 foi realizado o primeiro seminário exclusivo sobre a Escola Austríaca de Economia no Brasil, organiazdo pelo jovem Instituto Ludwig von Mises Brasil: http://www.mises.org.br/
O seminário reuniu grandes nomes da escola austríaca, com destaque para Lew Rockwell e Tom Woods, além de duas figuras não "austríacas" que enriqueceram o seminário com as suas perspectivas sobre o anarco-capitalismo e a estratégia "Seasteading" para se chegar a uma sociedade livre, David Friedman e Patri Friedman respectivamente. O seminário pode ser visto na integra no seguinte canal: http://www.youtube.com/institutomisesbrasil

Este ano será realizada a segunda edição do seminário, que irá contar com nomes como Hans-Hermann Hoppe e Robert P. Murphy. Para mais informações, acesse o site: http://www.mises.org.br/EAMain.aspx

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Hans-Hermann Hoppe em português:
e

Destaque para "Democracia: O Deus que falhou": http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=139

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Robert P. Murphy em português:


______

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Leitura obrigatória: For a New Liberty: The Libertarian Manifesto - Murray N. Rothbard


Neste clássico, Rothbard demonstra os princípios sob os quais qualquer sistema social deve se basear para não cair em contradições. Ele demonstra também que o Estado é inconsistente e injusto por natureza, sendo assim a anarquia (ausência de Estado) seria a única alternativa válida. Em For a New Liberty, as soluções anarquistas para os problemas causados pelo Estado são analisados com base na mais pura lógica econômica.

Livro completo em inglês: http://mises.org/rothbard/foranewlb.pdf

Traduções de alguns capítulos para o português:


1 - A Herança Libertária: A Revolução Americana e o Liberalismo Clássico - http://www.libertyzine.com/2007/10/herana-libertria-revoluo-americana-e-o.html




10 - O Setor Público: O Governo como Empresário - http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=84

11 - O Setor Público: Desestatizando a Segurança, as Ruas e as Estradas -http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=174